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quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Bilhete de amor
Postado por Octavio Peral às 06:39 0 comentários
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Com os meus botões
Se não acordo, não saio,
E não sair me incomoda,
Se não saio, não mais sinto,
Nem mesmo as ventanias no centro,
E se não mais sinto, não mais sou,
Mas não posso não mais ser...
O que será de mim!?
Bendito seja aquele que criou o despertador
Postado por Octavio Peral às 12:22 0 comentários
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Era ela e o jardim
Era ela, que me acorda com ternura nas manhas escuras do horario de verão e que se prontifica a me vestir e enxugar, e que hoje não mais sabe o que me dizer, talvez até porque ainda guarde algumas poucas conversas com intenção de economiza-las e não joga-lás fora apenas numa tarde perdida no jardim botanico. Era ela, que eu vejo em qualquer rosto serio, quando entro de repente dentro do onibus, ou na rua, no chá, no café, nos calculos estequiometricos, no jardim botanico. Era ela, que me leva pra todos os lugares, de onibus, pro shopping, cinema e jardim botanico. Era ela, apenas, o que eu via. Ela e o jardim botanico. Ela em destaque. Sem mais jardim, nem bicho, nem arvore, nada de botanico à volta.
Postado por Octavio Peral às 11:44 3 comentários
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Aliterando-me
E no final concluo, destruo, construo, desligo, contido, nos passos, nas horas, das ruas, sujas, velhas, estranho, questiono, não digo, portanto, me abaixo, me esquivo, desvio, pro lado, direita, bem perto, do ponto, que faço, no conto, do paço, no centro, que move, à vontade, vazia, adentro, amizade, que prezo, não nego, e a moça, estreita, castanho, que ouve, me fala, e escreve, entende, estende, as mãos, em amparo, não calo, escalo, me vejo, sentado, no fundo, calado, comparo, e monto, a forma, cabeça, mão, pincel, tinto, e branco, o vinho, que vem, fazer, tontura, amor, loucura, em casa, na rua, no ouro, no chão, canção, enquanto, enfim, então, lembro, da mão, do contrato, ocasião, que sinto, que não,
Concluo.
Postado por Octavio Peral às 09:36 0 comentários
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Susto
"Chico! Acorda Chico!" Berrava Claudinho, numa tentativa visivelmente ridícula de acordar seu irmão mais novo. Como dormia aquele moleque! Ia dormir cedo e ainda assim reclamava todo santo dia, quando, cedo da manha, seu irmão Claudinho o despertava. Claudinho ainda havia de inventar alguma maneira pro moleque preguiçoso acordar com mais vontade nas manhas letivas do ano. Pensou até em colocar cafeína no copo de leite quente que seu irmão tomava antes de se deitar. Mas pensando bem , ia ser complicado dormir com Chico se remexaendo a noite inteira de insonia. Jogar agua fria não valia à pena pois sabia que seria obrigado a secar tudo depois. Mas então o que podia fazer pra extinguir a sonolencia matutina do seu irmão? Foi procurar a Velha. Apesar de morrer de medo dessa mulher enrrugada e solitária, nesse caso era provavel que tivesse algum conselho que lhe conviesse. Assim que chegou ao barraco da Velha viu-se de olhos arregaladíssimos no espelho que ficava em cima da cadeira da anciã. O motivo era a forma com que se postava a senhora enrrugada, estava de pé mas ao mesmo tempo curvada, como um velho, dando a impressão de estar catando algo invisivel no chão. Claudinho logo concluiu que se tratava de uma entidade que possuia, no momento, o corpo da mulher. Após assistir a cena bizarra que se sucedia, finalmente encorajou-se e perguntou o que queria saber. A solução dada pelo espírito caboclo era simples e direta: "Deixe o menino dormir, e se tá insatisfeito, vou mostrar a suncê como que se trata moleque resmungão". Devido ao susto encomendado por Chico à velha, Claudinho nunca mais importunou seu irmão, tendo que acostumar-se à desagradavel rotina de sempre chegar atrasado.
Postado por Octavio Peral às 11:25 0 comentários
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
O andar
Gosto do andar belo da bailarina,
que, dentro da sua caixa de música,
só anda pra mim.
Me vê e anda,
sabe que aprecio sua postura,
fina e elegante na sua aura de inocencia,
Sim, continua andando.
Vejo o leve balançar do seu corpo,
uma maré serena e límpida,
Não! não desejo que pare de andar,
apenas ande,
e quem sabe um dia,
me deixe saber,
se ando do teu lado.
Postado por Octavio Peral às 12:30 1 comentários
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
12:35
-Quanto vale um beijo meu?
Era com tom de desafio que surgiam as palavras de Marcela, provocantes e sugestivas em direção do menino envergonhado, e também esguio, sentado no meio fio da rua. E a questão vinha no meio de uma conversa inocente e, aparentemente sem rumo, depois da aula. Tuco se via diferente quando Marcela aparecia na sua casa sem aviso prévio, era algo que não sabia ao certo. Sempre esperava. Junto aos raios de sol, pairava o silencio da resposta de Tuco. Nunca foi esperto. A impaciência no bater das pernas de marcela o incomodava, aliás sempre o incomoda. Num rompante, proferiu em seu direito de réplica: nada vale um beijo seu, se comparado ao tom desafiador das tuas frases. Voltaram até o caminho comum das suas respectivas casas de mãos dadas.
Postado por Octavio Peral às 17:35 4 comentários