seu corpo
todo fêmur
está esticado
em volta de todos os meus lugares
seus dedos
ósseos
esguios
estalactites
perfuram o musgo
que meu corpo infantil
teceu
pra te afastar
hoje minha lembrança de domingo
quis voltar a ser sábado amarelo
e minha pele obscura que corria pelo
gelo do teu olho e pelo mármore
do teu pé-lagarto
sentiu frio e solidão
[trancafiado numa camisa de força
vejo você, petulante, entre suor e pele]
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
Ocular
teu olho inquieto parece saltar diretamente pra morder o meu, feito cão feroz é lindo ver teu olho a tamborilar por dentro das pálpebras, teu olho me faz esquecer as horas enquanto estão vidrados nos meus, essa inquietude da alma refletida num olhar seu. eu tenho vontade de tirar tua roupa sempre branca e olhar outra vez teu cabelo pelo reflexo do tampo da mesa de vidro. o cigarro partido, a fumaça que entrecorta o caminho direto dos teus olhos, que me espetam feito mil agulhas de acupuntura. um quadro surrealista no qual teu olho derrete-me por inteiro enquanto eu tento, em vão, des-hipnotizar-me dessa tua magnitude ocular tão incosciente e natural. talvez o segredo esteja até nessa tua naturalidade de cachoeira cristalina na qual me banho até o torpor entrar pelos meus olhos. lembro dos teus olhos aquele dia sentados na pedra, o por do sol já escasso a anoitecer em teus olhos que me mordiam ferozes pouco a pouco. um tecido trançado a escorrer de ti e a nos deitar em cada balanço que o mar fazia nas pedras da mureta. você sorriu e eu achei a coisa mais estranha do mundo ter vontade de beijar seus olhos. talvez seja a coisa mais estranha do mundo te achar escondida nos devaneios que eu tenho em tardes quaisquer. ou então ter vontade de ter teus olhos doces em mim em rompantes e impulsos aleatórios. teus olhos se abrem de repente e é como se o muro de Berlim acabasse de cair aqui dentro.
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
Perplexotan
Deixe eu ser teu comprimido
ser a tela pálida reprodutora
de tanta tarde e ósculo
eu queria te achar congelada
no meu cerebro no meio a tanta
disordem
deixar-te perplexa
enquanto nem um lexotan
é capaz de te adormecer
somos vidas
um filme
que passa na beira dum buraco negro
um 35mm
que roda puxado pro nada, pro fim
gerando a imagem
a vida
o holograma que somos
predestinados
e indefesos
consegui te achar
no meio do sal
da minha pele
e tão desnorteado
esqueci
a beleza que teu corpo sempre teve
no final do sol
perto do mar
enquanto eu era teu comprimido, calmante
e teu filmeterapia
so, sweet lullaby
não tenhamos medo
devagar, eu
te acho serena
o calmante que agora
seus olhos derramam pra minha boca
o teu dourado
que agora
é meu comprimido de dormir
e o filme
que se repete sem fim
por dentro dos olhos
ser a tela pálida reprodutora
de tanta tarde e ósculo
eu queria te achar congelada
no meu cerebro no meio a tanta
disordem
deixar-te perplexa
enquanto nem um lexotan
é capaz de te adormecer
somos vidas
um filme
que passa na beira dum buraco negro
um 35mm
que roda puxado pro nada, pro fim
gerando a imagem
a vida
o holograma que somos
predestinados
e indefesos
consegui te achar
no meio do sal
da minha pele
e tão desnorteado
esqueci
a beleza que teu corpo sempre teve
no final do sol
perto do mar
enquanto eu era teu comprimido, calmante
e teu filmeterapia
so, sweet lullaby
não tenhamos medo
devagar, eu
te acho serena
o calmante que agora
seus olhos derramam pra minha boca
o teu dourado
que agora
é meu comprimido de dormir
e o filme
que se repete sem fim
por dentro dos olhos
quarta-feira, 8 de janeiro de 2014
Tacitez
te chamo
numa noite qualquer
e tuas unhas
me perfuram
sutis
meu pesadelo se abranda
e eu acordo com o peso
do suor
irresposável de uma
manhã em branco
esperando ser agredida
pela tinta que escorre
apenas da nossa xícara
esquecida
a cortina
balança teus cílios
sobre nossa sorte
eu atravesso seus olhares
sem olhar os carros
e tuas unhas agora
bailam sorridentes pelo
cabelo claro
que escorre da pia
te chamo
numa manha cheirando à hortelã
e teus desesperos
andam colhidos nas mãos
doces de tantas pessoas
braços que agora
enlaçam a virtude
e a boemia
através
do nosso suor escarlate
atravesso
as ruas
sem perceber os carros
e
toda forma de solidão
desaba em tantas unhas
e arranhões
incongruentes
a noite
as vezes
é tácita
e teu olhar
ainda
é sempre
mansidão
numa noite qualquer
e tuas unhas
me perfuram
sutis
meu pesadelo se abranda
e eu acordo com o peso
do suor
irresposável de uma
manhã em branco
esperando ser agredida
pela tinta que escorre
apenas da nossa xícara
esquecida
a cortina
balança teus cílios
sobre nossa sorte
eu atravesso seus olhares
sem olhar os carros
e tuas unhas agora
bailam sorridentes pelo
cabelo claro
que escorre da pia
te chamo
numa manha cheirando à hortelã
e teus desesperos
andam colhidos nas mãos
doces de tantas pessoas
braços que agora
enlaçam a virtude
e a boemia
através
do nosso suor escarlate
atravesso
as ruas
sem perceber os carros
e
toda forma de solidão
desaba em tantas unhas
e arranhões
incongruentes
a noite
as vezes
é tácita
e teu olhar
ainda
é sempre
mansidão
terça-feira, 24 de dezembro de 2013
Nuance
lembro da sombra
nas paredes
e os finos filetes de luz
a espacializar
e a tornar mística
nossa sombra
entrelaçada
lembro da mão
que insegura
segurava os pontos
e a carne macia
que estatelava entre cortinas
e a branquidão
doce dos dentes
A sombra
que caía
em nós
e a respiração efêmera
a rodopiar
no sentido
da luz fina a escorregar
janela adentro
lembro
da janela
que embranquecia
o teto aos poucos
e da solidão
desfazendo
aos poucos sua névoa
o sol a arder
e a queimar
a certeza
de qualquer coisa
nas paredes
e os finos filetes de luz
a espacializar
e a tornar mística
nossa sombra
entrelaçada
lembro da mão
que insegura
segurava os pontos
e a carne macia
que estatelava entre cortinas
e a branquidão
doce dos dentes
A sombra
que caía
em nós
e a respiração efêmera
a rodopiar
no sentido
da luz fina a escorregar
janela adentro
lembro
da janela
que embranquecia
o teto aos poucos
e da solidão
desfazendo
aos poucos sua névoa
o sol a arder
e a queimar
a certeza
de qualquer coisa
segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
Plano B
a dor
se aloja
bélica
sempre há
uma escolha
um plano B
mas os dedos
sangrentos
não mais
alcançam
as notas
jazzísticas
da tua
vidraça-coração
e o plano B
desaba
infantil
num desmaio
elétrico
e estrebuchante
se aloja
bélica
sempre há
uma escolha
um plano B
mas os dedos
sangrentos
não mais
alcançam
as notas
jazzísticas
da tua
vidraça-coração
e o plano B
desaba
infantil
num desmaio
elétrico
e estrebuchante
quarta-feira, 27 de novembro de 2013
Conta-Gotas
o corpo dedura
o que a alma as vezes tenta esconder
e joga fora a chave
engolindo
o sumiço
o sumiço do corpo
trancafiado num automóvel
contando gotas
[conta gotas
que pinga devagar
no céu]
e destraindo nossa dor
destraindo o mundo que agente
tenta engolir e nunca consegue
o que a alma as vezes tenta esconder
e joga fora a chave
engolindo
o sumiço
o sumiço do corpo
trancafiado num automóvel
contando gotas
[conta gotas
que pinga devagar
no céu]
e destraindo nossa dor
destraindo o mundo que agente
tenta engolir e nunca consegue
Assinar:
Postagens (Atom)