Admito, caro amigo, que me falta algo de claro e objetivo. Sei que meu lado decisivo é atrofiado e que por isso mesmo completamente submisso aos desaforos inquietos da escolha. Como por exemplo, noutro dia que me encontrava nas ruas do centro da cidade, me deparei submerso ate o pescoço pela imensa agonia de decidir qual dos bondes subir para ver-me novamente debaixo das telhas da minha moradia no catete. De tanto me roer com os bondes, fui a pé. E numa das esquinas, entre as dezenas do caminho, um pobre homem em farrapos pergunta-me se não há nenhum trocado que possa ceder-lhe, e por que me faz isso?! Logo pra mim que, no calor das duas opções diferentes, acabei por ignorar a breve intervenção daquele humilde senhor. Meia hora mais cansado cheguei em casa, e com um ar de contentamento, Tota veio me receber à porta. De coleira na boca, rabo espevitado e olhar de súplica. Porcapipa! Até tu Tota?! Mas será que ainda não entendestes o meu dilema? Tudo bem. Contenta-te com um biscoitinho e fica sossegado. Veja com olhos claros e imparciais, caro amigo, não te pareces que há algo conspiratório em minha convivência? Pois bem, continuemos ao principal acontecimento que me trouxe até aqui. Satisfeito pela agilidade
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Ciclo Verborrágico
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