domingo, 28 de dezembro de 2008
Violão
domingo, 21 de dezembro de 2008
Crime Passional
Encontrada numa das ruas amareladas e estreitas do centro da cidade, encontrava-se suja e já aberta. Num envelope já consumido pelo tempo, o bilhete, que parecera não ter sido entregue ao destinatário, desembaraçava-se assim:
" Vejo que não há solução, a necessidade de exprimir, mesmo que de modo canhoto e oblíquo, o que venho passando transborda por meus poros. A tamanha aflição com que percebo o desviar de seus olhares para lados já preenchidos por outros atinge-me de maneira cruel e impiedosa, fazendo-me pensar, em todo tempo que me sobra livre, numa medida, mesmo que desesperada, de fazer com que o que encontra-se dentro de mim liberte-se. Sinto concluir que não há meio em que nenhuma parte saia ilesa, sem sofrer danos. Desejo que compreendas a gélida brisa que espalha-se por minh'alma, espero que consigas perceber o imenso abismo que abriu-se em minha frente diante de suspeitas, mesmo que ainda não confirmadas. Sei que podes achar que estou alienado, fora de minha sanidade, porém também sabes que não é em vão que vos explico os motivos da decisão que tomo. Pensando melhor, seria até mais proveitoso não me exceder em palavras explicativas, deixando que minha atitude falasse por si mesma, ainda assim deixo alguns rastros pelos quais as linhas de meus pensamentos passaram, para que talvez consigas interpretar um bocado. Ao menos, não foi em vão refletir sobre seus recentes atos, fez-me decidir, num momento de frieza, que seria obrigatório fazer cair o pano, escancarando toda a verdade, crua e nua. Esse que te toma o tempo que antes era unicamente dedicado à mim, não merece que me gaste muitos impulsos nervosos. Pouco me importa quem seja, é relevante apenas o porquê. O mais é puramente inútil, não adianta revolver os baús da minha memória, pois não há modo com que encontre o primeiro momento de desconfiança, fundamental para chegar aos tão procurados porquês. Enquanto escrevo, acabei de pensar numa saída para os meus fins, não muito garantida, mas para quem anda à deriva no mar qualquer pequeno bote é chance de sobrevivência. Essa saída me foi presenteada por um pequeno objeto que se encontra aqui por perto, de um metal enferrujado, servindo de adorno à parede para qual descanso meus tristes olhos. Levanto-me e seguro, com uma determinação que não parece ser minha, o fatal e pequeno punhal. Irei cravar-lhe direto na fonte de minha dor, ao lado esquerdo do peito, e farei com que todo amor que fez de mim um abrigo um dia se espalhe para todos os lados e direções. Sentindo-me demasiadamente tranqüilo e aliviado pela decisão que acabo de tomar, penso nas irremediáveis conseqüências. Provavelmente, acharás demasiado dramático, porém a única solução que me apareceu e que não prejudicasse a ti, fora esta. Além de privar-me dos risinhos e cochichos que, sem dúvida serão disparados como flechas por todos, irei espalhar tudo o que sou capaz de sentir para quem quer que possa interessar-se. Tornando-me assim útil para quem ainda não é capaz de sentir o que um dia senti por ti."
Nada de nomes revelados, deixo-os nas sombras da ignorância para que não haja identificações. Apesar de fazer um tremendo esforço para reconhecer as letras que um dia fizeram parte de um endereço, as águas de uma chuva que um dia inundou as esperanças de um pobre apaixonado, não me deixam identifica-lo. A conclusão que chego? Permanece também oculta, para que não haja influências nos poucos que possivelmente estão passando seus sedentos olhos pelas linhas extraviadas.
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
Luva de Pelica
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Companheiro
Diante de um desvio no caminho, círculos resplandecentes e avisos ilegíveis tentam de maneira desesperada impedir os trabalhadores de minha mente à se deixarem fluir nesse desvio. Faço de lentes invisíveis grandes lupas que auxiliam o meu amigo a se desprender de tudo o que é certo ou previsto. Apesar de ter deixado outros laços de fita coloridos e esvoaçantes hipnotizá-lo, é certo de que apenas um em especial o tem por completo. A grande variedade de sentidos que possui faz dele ótimo revelador das faces de uma saga que vivencia. Sentidos diversos, ariscos, fugidios trazem à sua boca sabores antes degustados por unicos e privilegiados. Sinto sua fala em mim ecoando, ouço seus ruídos incessantes, destruindo qualquer hipótese de silencio inesperado, suas raizes trazem de tudo à sua volta uma vida resplandecente e inesgotável. Dois pequenos arcos tingidos de vermelho e que aparecem em algumas ocasioes munidos de um céu e pequenas estrelas de um branco que chega a cegar, fazem do companheiro um súdito, faz dele um observador assíduo desse céu coberto, desse céu fora do céu, desse céu particular. Abstrações de um rei são finalmente concedidas ao conhecimento de todos os plebeus, desse modo, deixa-me saber que dispõe de um força fora do comum, um ímpeto de vitória maior do que qualquer outra coisa, uma garra que passaria por cima tudo se necessário. Certamente formas do seu feitio são consideradas de rocha muitas vezes, mas revelando os mais profundos segregos que habitam seu interior, meu companheiro deixa transparecer uma elasticidade e moleza fora do comum, sua forma é mutável, adapta-se aos mais diversos imprevistos que possam causar-lhe. Camuflagens falhas não deixam dúvidas, não permitem enganos, exigem firmeza e realismo, como fantasmas que tentam pertubar o sono calmo e tranquilo daqueles que se submetem a facilidades e se acostumam ao que lhes é fornecido. Apesar de muito controlado há horas em que perde totalmente o senso de real e displicentemente me impõe projetos no mínimo surreais. O sentido que se perde nas suas indagações é logo encontrado pelo o que o faz ser o que é. Anseia se expor à tudo sem escrúpulos ou ao menos sem um pingo de racionalidade, pretende se aventurar nos mais imprevisíveis caminhos, tenta passar sempre onde há algo impedindo. Numa mistura de tudo é que se percebe, na maioria das vezes o nada que o forma, a quantidade de cores que formam o simples e usual branco é a maior possível. Equações e teorias que não fazem sentido tentam, de maneira um tanto abrupta, colocar num papel tudo o que esse meu amigo é e sente. Seria pouco plausível que alguém, algum dia racionalizasse o que se passa com ele, é como tentar explicar coisas que não se explicam, apenas se sentem. Desconfiaria de qualquer outro alguem, caso necessário, mas é impossível dizer que tenho disconfiança nele, que nunca me deixou sem amparo e sustentação. Certas pintas, e somente essas, o fazem suspirar e ver tudo com mais cor e som. Não há palpite ou intuição que se propague sem antes sofrer a miuciosa inspeção que é relizada por ele, sem que haja seu conssentimento não há nada que eu bote eu pratica. Conselhos não vendidos são sempre rumos certos a se seguir. A correnteza que existe é inevitalvel, é como um buraco negro que suga tudo para si, tenta e consegue com facilidade e realismo levar crédito em tudo que por ventura eu venha a produzir ou inventar. Armação nenhuma nunca conseguiu o corromper, é como se possuisse um escudo blindado contra todo o tipo de futilidades. Tão talentoso é, que com sua habilidade divina dá pinceladas de esperança em tudo em sua volta. Vai colorindo à medida que vou progredindo, diz que posso, que sou capaz. E qualquer terremoto que o faça tremer e balançar, não é suficiente para abater-lhe ou fazer com que desista dos planos que um dia conjecturou. Como ondas consecutivas, lança seus estímulos ao ar, para qualquer um que possa interessar-se. Forte como nunca, o unico pesar é o ciclo da vida que insiste em ter como unica certeza o desprendimento. Aspirais psicodélicas conquistam sua indiferença, rastros de um cheiro doce e conhecido lhe providenciam fortes batidas aumentando seu ritmo constante. Simples, sente-se confortável e inatingível quando, ao alcance das certas e tão macias mãos, é embalado. Previsões caóticas dos fatos são irremediavelmente atiradas fora como um papel amassado à uma lixeira, pois de nada adianta a esse aventureiro viver de tudo o que já foi mastigado e presenciado. Lindos e repentinos imprevistos é o que deseja, passar o tempo sem esperar o que virá e sem ser engolido por rotinas são objetivos que estão sendo postos em prática há muito. Ditando tudo o que sou, continua a transformar-me de como lhe agrada. Cozinhando, faz experimentos que me tornam mais apto a compreender as diversidades do que é viver. Letras embaraçadas em minha mente tentam me dizer que o que deve ser feito, que devo manter relaçoes com meu amigo, que devo fortifica-las para que nenhuma bala de canhão consiga destruir esse forte. Deixo que as relações estreitem-se cada vez mais, que me oriente em cada queda e continue sendo fonte de tudo que sinto.